Kant
Resistiu o quanto pode. Mas depois que ela tirou os óculos...
Viu ela pela primeira vez na biblioteca. Cabelos caracolados, meio estirada na cadeira. Mão no rosto, a outra segurando alto um livro. Provavelmente algum autor alemão. Kant, eu arrisco. Rostinho tão sério. Lábios sem batom. Pele que não costuma ver sol, e como era branca quer dizer que era bem isso. Os pés adivinho no chinelo de palha. E como ele sentia uma tara especial por garotas intelectuais ficou vidrado. Será que eram os óculos de armação preta? O ar de seriedade provocava assim. Ficava com vontade de desarrumar aquilo tudo. Na mesa da biblioteca... Mandar calar a boca e tudo. Nada de autores alemães. Mostrar o caminho que faz perder a linha. Jogar os óculos longe!
Pensou o dia inteiro nela. Acabou escrevendo no blog. Nossa, como Kant é erótico!


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