Sierra Morena

Sim, eu confesso: é um diário. Ah, eu posso ser um pouco bobo se quiser, não é? Além do mais, não sei se alguém vê o que vejo no cotidiano. Vejo tanta coisa, qua faz pena deixar ir. Guardo então cá, essas impressões da minha vida. Afinal, uma aranha que parece jóia, é uma jóia de fato...

18.8.06

Kant

Resistiu o quanto pode. Mas depois que ela tirou os óculos...

Viu ela pela primeira vez na biblioteca. Cabelos caracolados, meio estirada na cadeira. Mão no rosto, a outra segurando alto um livro. Provavelmente algum autor alemão. Kant, eu arrisco. Rostinho tão sério. Lábios sem batom. Pele que não costuma ver sol, e como era branca quer dizer que era bem isso. Os pés adivinho no chinelo de palha. E como ele sentia uma tara especial por garotas intelectuais ficou vidrado. Será que eram os óculos de armação preta? O ar de seriedade provocava assim. Ficava com vontade de desarrumar aquilo tudo. Na mesa da biblioteca... Mandar calar a boca e tudo. Nada de autores alemães. Mostrar o caminho que faz perder a linha. Jogar os óculos longe!

Pensou o dia inteiro nela. Acabou escrevendo no blog. Nossa, como Kant é erótico!

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