Laurinda
— Ó Laurinda linda, linda,
Ó Laurinda linda, linda,
És mais linda do que ó Soli,
Deixa-me dormir uma noite
Nas dobras do teu lençol!
— Sim, sim, cavalheiro sim,
Sim, sim, cavalheiro sim,
Hoje sim, amanhã não,
Mê marido nã está cá,
Foi prá feira de Granão.
Onze horas, meia noiti,
Onze horas, meia noiti,
Marido à porta bateu,
Batê uma, batê duas,
Laurinda nã respondeu.
— Ó ela está doentinha,
Ó ela está doentinha,
Ó já tem outro amore,
Ó então pracura a chavi
Lá no mei’ do corridor.
— De quem é este chapéu?
De quem é este chapéu?
Dabruado a galão?
— É para ti mê marido,
Que fiz eu por minha mão.
— De quem é aquele cavalo?
De quem é aquele cavalo?
Que na minha esquadra entrou?
— É para ti mê marido,
Foi teu pai quem te mandou.
— De quem é aquele suspiro?
De quem é aquele suspiro?
Que ao meu leito se atirou?
Laurinda que aquilo ouviu,
Aí no chão desmaiou.
— Ó Laurinda linda, linda,
Ó Laurinda linda, linda,
Não vale a pena desmaiar,
Todo o amor que t' eu tinha
Vai-se agora a acabar.
— Vai buscar as tuas irmãs,
Vai buscar as tuas irmãs,
Trá-las todas num andor,
E a mais linda delas todas,
Há-de ser o meu Amor!
Nota: Cantiga medieval ibérica, recolhida esta versão em Portugal no século XIX.


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